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Arrependimento 03/07/2025

 

Arrependimento (Mateus 21:28-32)


Introdução


A parábola dos dois filhos é narrada por Jesus em sua última semana em Jerusalém, pouco antes de Sua crucificação. Nesse período, Ele estava no Templo e muitas coisas estavam acontecendo por lá, como sua entrada triunfal em Jerusalém, a purificação do templo, curas e milagres, portanto era um momento de muita movimentação.

Também era um tempo onde a cidade estava movimentada, pois era semana da Pascoa e estavam por lá muitos peregrinos. Todo e qualquer movimento ou acontecimento poderia por a prova as autoridades da época, por isso eles estavam preocupados e atentos.


Entrada Triunfal em Jerusalém (Mateus 21:1-11)

Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém montado em um jumentinho, cumprindo a profecia de Zacarias 9:9. Multidões o aclamavam como o Messias, estendendo seus mantos e ramos de árvores no caminho e gritando "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!".

Essa entrada já estabelecia um clima de expectativa e confronto, essa manifestação pública de Jesus como o Messias e Rei, mesmo que de um Reino espiritual, era uma afronta aos líderes religiosos e autoridades Romanas, que viam qualquer pessoa ou figura Messiânica que pudesse incitar o povo como uma ameaça.


Purificação do Templo (Mateus 21:12-17)

Ao entrar no Templo, Jesus se deparou com um cenário de comércio e exploração. Ele encontrou vendedores de animais que eram usados em sacrifícios transformando a "casa de oração" em um "covil de ladrões". Jesus então expulsou esses comerciantes, derrubando as mesas e as cadeiras deles.

Essa ação foi um ato profético de purificação, demonstrando Sua autoridade Divina e a importância da casa de Deus como lugar de oração e adoração genuína, não de lucro e corrupção.

Depois disso, Ele também curou cegos e coxos que vieram até Ele no Templo, e aceitou o louvor das crianças, o que irritou ainda mais os líderes religiosos.


Conflitos com as Autoridades Religiosas (Mateus 21:23-27)

Foi após a purificação do Templo e Suas curas, que as principais autoridades religiosas e também os anciões se aproximaram de Jesus, enquanto Ele estava ensinando no Templo. Eles o confrontaram diretamente, perguntando: "Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu tal autoridade?"

Essa pergunta revela a tentativa deles de deslegitimar Jesus e Sua atuação. Eles queriam que Jesus se comprometesse, seja declarando abertamente Sua divindade o que poderia ser usado para acusá-Lo de blasfêmia ou negando-a o que O faria perder o apoio popular.


O Ensino por Meio de Parábolas (Mateus 21:28-46)

Foi nesse contexto de debate e questionamento de autoridade que Jesus, então, passou a contar a Parábola dos Dois Filhos (Mateus 21:28-32) e seguida a Parábola dos Lavradores Maus (Mateus 21:33-46).

Ambas as parábolas serviam para expor a hipocrisia e a incredulidade dos líderes religiosos, que, apesar de se considerarem justos e obedientes a Deus, rejeitavam a Sua mensagem e Seu Filho, pois quando a Palavra e aceita gera um arrependimento genuíno. Eles afirmavam ser filhos de Deus, conheciam Sua lei e supostamente o serviam, mas seus corações e ações revelavam sua desobediência.

O que vemos em nossos dias é uma ´´Igreja´´ como a daquela época, crendo que esta salva por conta de seus discursos, mas sem um arrependimento que gera frutos.


A parábola dos dois filhos

Imagina um pai com uma vinha e dois filhos. Ele se volta para o primeiro e pede: "Vá trabalhar hoje na minha vinha". A resposta é um sonoro e rude: "Não quero!". Este filho representa os pecadores da pior qualidade que vivem abertamente em desobediência. Sua recusa é clara, sem rodeios, é o pecado explícito, visível a todos, mas o que acontece a seguir demonstra que ele refletiu, se arrependeu e mudou a sua rota.

Aí está o que chamamos de verdadeira conversão, uma mudança de rota, de atitudes. Quantos de nós também já estivemos em uma rota errada de desobediência e pecados que desagradava a Deus, mas que ao ouvirmos uma palavra, uma direção, decidimos então tomar um rumo diferente (Metanoia Rm 12:2 e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente). Essa mudança interna nos leva a reconhecer nosso erro e a mudar de direção. O arrependimento, para ser verdadeiro, precisa gerar uma ação consequente. O primeiro filho não apenas pensou em ir, ele foi e suas atitudes seguiram seu novo entendimento e sua vontade de obedecer.

Em seguida, o pai se dirige ao segundo filho com o mesmo pedido. Este, com uma prontidão exemplar, responde: "Sim, senhor, eu vou!". Parece a resposta ideal, no entanto, ele nunca foi. Este filho ilustra o pecado velado, a hipocrisia. Ele representa aqueles que assim , como os chefes dos sacerdotes e anciãos que questionavam Jesus, professam obediência a Deus com palavras, mas suas ações desmentiam seus discursos, se escondem por trás de uma fachada de retidão (Mt 15:8 Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.).

Servir a Deus verdadeiramente não está atrelado apenas no que falamos, mas principalmente as nossas atitudes. O segundo filho não passou pelo processo de arrependimento, suas palavras vazias não se transformam em ações, não há reconhecimento de erro, nem mudança de mente, nem frutos de obediência.


Arrependimento

O Arrependimento Genuíno, exemplificado pelo primeiro filho, é marcado pela humildade em reconhecer a falha, pela disposição em mudar de rumo e crucialmente, pela ação de fazer a vontade do Pai que demonstra obediência. Então Jesus explica, aqueles como ele entram no Reino de Deus. Não há como sermos salvos sem arrependimento pois ele precede ao Crer (Mc 1:5 E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho) e quando cremos conseguimos negar a nós mesmos e fazer a vontade dEle.

Por outro lado, a falta de arrependimento, demonstrado pelo segundo filho e pelos líderes religiosos, é caracterizado pelo orgulho. Há uma desconexão entre as palavras e as ações.

O maior perigo é a persistência na incredulidade, como Jesus adverte: "Vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer." A dureza de coração impede a transformação, mesmo diante da verdade. Jesus usa essa parábola para deixar claro: Deus valoriza a obediência prática mais do que meras palavras ou rituais vazios. Não basta dizer sim a Ele; é fundamental fazer a Sua vontade.


O Arrependimento em Ação

Uma das mais belas histórias sobre o arrependimento vem de uma das parábolas mais famosas de Jesus, encontrada no Evangelho de Lucas 15:11-32, a Parábola do Filho Pródigo. Ela é uma poderosa ilustração do arrependimento verdadeiro.

O filho caiu em si, ele sentiu as consequências da sua má conduta e reconheceu o erro de ter abandonado o pai e desperdiçado sua herança. Ele não tentou justificar-se. A sua tristeza não foi apenas por suas circunstâncias (passar fome), mas por ter ofendido o Pai (pequei contra o céu e contra ti). É uma tristeza que leva à humildade e à confissão. Ele não ficou se vitimizando, mas tomou uma decisão, "Vou levantar-me e voltar para meu pai", uma mudança de direção e intenção, levantou e foi em direção à casa do pai. O arrependimento verdadeiro sempre produz frutos visíveis.

Ao encontrar o pai, ele confessa sua culpa e reconhece sua indignidade. Ele estava disposto a aceitar as consequências, mesmo que isso fosse ser tratado como um empregado.

Antes mesmo que o filho pudesse terminar sua confissão, o pai o perdoa e o restaura completamente, não como um servo, mas como um filho amado. Isso ilustra a prontidão de Deus em perdoar e restaurar aqueles que se voltam para Ele em arrependimento sincero.


Conclusão

A boa notícia é que o Reino de Deus está aberto àqueles que se arrependem de coração. Surpreendentemente, Jesus diz que os publicanos e as prostitutas, que eram marginalizados, "entram adiante" dos líderes religiosos, porque se arrependeram e creram na mensagem de João Batista. A graça de Deus alcança quem se volta para Ele com um coração disposto a mudar, independentemente do passado. O arrependimento é uma ponte que leva à restauração do relacionamento com Deus, que está sempre pronto a receber de volta Seus filhos perdidos.


Apª.  Marcilene de Oliveira Casburgo


 

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