Notícias

Como é possível um Boeing 777 simplesmente desaparecer?

Como é possível um Boeing 777 simplesmente desaparecer?

Atualizado em 12 de março, 2014 - 09:51 (Brasília) 12:51 GMT
Buscas ao avião da Malaysia Airlines

Milhares de quilômetros quadrados já foram vasculhados em busca do avião da Malaysia Airlines

Como pode uma aeronave do porte do Boeing 777 simplesmente desaparecer, sem deixar rastros, como ocorreu com o avião da Malaysia Airlines que sumiu no sábado?

O modelo tem um excelente histórico de segurança e está equipado com vários dispositivos eletrônicos para comunicar ao controle em Terra onde a aeronave está localizada.


"Mesmo com algum defeito grave, normalmente o piloto tem tempo para agir", observa o especialista em segurança aérea Steve Landells, da Associação Britânica de Pilotos Aéreos.

"A primeira coisa que você faz é se concentrar em pilotar a aeronave e assegurar que a rota é segura. Em seguida, rapidamente, você procura se comunicar, para pedir ajuda do controle em Terra ou de outras aeronaves", disse Landells à BBC.

Sem chamada de emergência

Ainda que a aeronave tivesse enfrentado problemas graves, isso deveria deixar pistas. Se todos os motores falham ao mesmo tempo, o piloto ainda deveria ser capaz de planar por mais de cem quilômetros, com tempo suficiente para enviar um pedido de ajuda pelo rádio.

E seria possível ver a descida do avião pelo radar. A ausência de uma chamada de emergência também sugere que não deve ter sido um sequestro. Os pilotos podem enviar códigos emergenciais especiais se alguém tenta invadir a cabine de controle.

"Há um sistema chamado transponder na aeronave, que permite que quando algo falha, o piloto tenha a capacidade de enviar séries de quatro números que indicam que você tem uma emergência. Com isso a torre de controle deveria saber imediatamente que há um problema, mas isso parece não ter acontecido no caso do voo MH370", explica Landells, que tem vasta experiência de pilotar Boeings 777.

Se tivesse havido uma súbita despressurização na cabine, por conta de uma janela quebrada, por exemplo, a tripulação poderia mergulhar o avião para reduzir a altitude, mas o avião não deveria se desintegrar.

O fato de ele ter sumido repentinamente do radar sugere uma súbita falha catastrófica em pleno ar. Mas será difícil saber o que houve até que encontrem a aeronave ou seus destroços. O problema é que a passagem do tempo dificulta isso cada vez mais.

"Junto com a caixa-preta do avião (que registra informações e a comunicação do voo) há um dispositivo que emite um sinal de rádio que pode ser detectado debaixo d'água por 30 dias ou, no caso de águas mais quentes, por até 40 dias", afirma David Gleave, investigador-chefe da empresa Aviation Safety Investigations.

Comparações com o voo AF447

Busca ao avião da Malaysia Airlines

Segundo especialistas, parte da fuselagem deveria flutuar se o avião caiu no mar

A situação inicialmente gerou comparações com outro incidente, a queda do voo 447 da Air France, que fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris, em junho de 2009.

O Airbus A330 desapareceu quando sobrevoava o Oceano Atlântico e levou anos para que os investigadores encontrassem todas as peças e descobrissem exatamente o que aconteceu.

Agora pode levar também meses ou anos para solucionar o mistério do voo 370 da Malaysia Airlines.

Se o avião realmente caiu no mar, a maior parte da fuselagem deve ter afundado, mas ainda assim ao menos algumas partes deveriam flutuar.

Mas conforme o tempo passa, os ventos e as marés podem espalhar esses destroços por uma vasta área, dificultando ainda mais a localização da aeronave.

'Equipamentos confiáveis'

O Boeing 777 da Malaysia Airlines não é o primeiro avião a desaparecer sem deixar nenhum rastro evidente, mas essa é uma situação extremamente rara.

"Hoje os aviões são equipamentos incrivelmente confiáveis. Não ocorrem falhas estruturais repentinas. Isso simplesmente não acontece", disse à BBC David Learmount, especialista em segurança da Flightglobal, organização especializada na análise de informações e de dados relacionados ao setor de aviação.

A Boeing descreve o modelo 777-200 como "uma superestrela". Mais de mil unidades do modelo já saíram de sua linha de produção desde o primeiro voo, em 1995, com apenas um registro de incidente fatal após mais de 5 milhões de voos.

Esse acidente havia ocorrido em julho de 2013 em San Francisco, nos Estados Unidos, após um voo da Asiana Airlines proveniente de Seul, na Coreia do Sul, se chocar com a pista na aterrissagem. Três pessoas morreram, uma delas atropelada por um veículo de resgate.

Duas teorias

Para o especialista em aviação britânico Chris Yates, com base nas informações conhecidas é possível reduzir as teorias sobre o que ocorreu com o avião da Malaysia Airlines a apenas duas.

"Problemas relacionados a condições atmosféricas podem ser descartados quase com segurança como causa", afirmou Yates em um artigo para a BBC. "Há diferentes descrições das condições do momento, mas há um consenso de que o avião voava em condições quase perfeitas", disse.

"Isso deixa apenas duas possibilidades principais: falha mecânica catastrófica ou um ato de terrorismo", observou.

Ele comenta, porém, que a última possibilidade também é duvidosa, já que até agora ninguém reivindicou um possível ataque.

 

Diante da crise na Ucrânia, líderes cristãos pedem orações pela paz

Por Dan Martins em 8 de março de 2014 
Tags: 
Diante da crescente tensão política e social na Ucrânia, diversos líderes cristãos têm se levantado em favor do país, pedindo orações e apoio urgente para a crise que assola a região. Proeminentes líderes cristãos e missionários que atuam na região relatam ainda que, mesmo em meio às tensões, muitas pessoas estão se voltando para Cristo.

O líder cristão russo Sergey Rakhuba emitiu um apelo urgente por oração em favor da solução da crise.

- Com os novos relatórios levantando preocupações de que a Rússia e a Ucrânia podem estar à beira de uma guerra, meu coração sangra por pessoas de ambos os lados do conflito. Eu amo o povo russo tenho dedicado minha vida e ministério a eles, mas eu não posso justificar as ações do Kremlin – afirmou Rakhuba.

- Exorto a comunidade cristã mundial para se juntar com os líderes da igreja e os cristãos de ambos os países irmãos para orar e jejuar pelo fim desta situação perigosa e pelos líderes desses países – completou.

Ele acrescentou também que Yuri Sipko, um proeminente líder russo evangélico e ex-presidente da União dos Evangélicos Cristãos Batistas da Rússia, lançou um desafio para a igreja na Rússia para resistirem à propaganda pró-guerra e manterem suas orações e responsabilidade espiritual.

Segundo o Christian Today, os líderes cristãos russos pedem ainda auxílio financeiro para que 200 mil cópias do Evangelho de Lucas sejam impressas em ucraniano, para serem distribuídas no país.

- Esta edição especial do Evangelho de Lucas vai ajudar a fornecer apoio espiritual e conterá orações para a salvação, conforto para os indivíduos e as famílias, a cura para a nação, e de esperança para a paz – afirmou Rakhuba.

Tim Hill, diretor da Igreja de Deus Missões Mundiais, explica as razões do conflito afirmando: “A Ucrânia fazia parte da União Soviética até sua independência em 1991. O país é fortemente dividido linguisticamente e politicamente. No momento, cerca de metade do país se identifica fortemente com a União Europeia para o comércio e razões econômicas, enquanto a outra metade prefere se associar com a Rússia”.

Junto com Dr. Mark Williams, superintendente da Igreja de Deus na Ucrânia, Hill pede por orações em nome do povo da região, que se encontra no meio de toda essa agitação política e tensão.

Na quinta-feira, os parlamentares da região da Criméia da Ucrânia votaram pela adesão à Federação Russa. O referendo vai agora passar para aqueles que vivem na região para a decisão final. Porém, diante da incerteza dos resultados de todos os esforços diplomáticos, os pedidos de oração são por um fim pacífico da situação. Segundo o Christian Headlines, Viktor Hamm, vice-presidente da Associação Evangelística Billy Graham o de Cruzadas que nasceu dentro de um campo de trabalho soviético, está na Ucrânia para auxiliar as igrejas e se reunir com o presidente temporário da Ucrânia, que é um pastor batista.

- Mr. Turchynov é membro de uma igreja evangélica em Kiev, um crente evangélico sólido, um irmão em Cristo e um grande líder político. (…) Agora, ele precisa de nossas orações por sabedoria, força e paz – afirmou Hamm.

Slavik Radchuk, da Rede Missão, relata ainda que muitas pessoas estão se voltando para Cristo devido ao conflito, em busca de paz e estabilidade.

- As pessoas estão muito, muito famintas [pelo Evangelho], especialmente agora. Temos relatos [da Crimeia] de que ex-muçulmanos ou muçulmanos estão vindo para nossas igrejas e dizendo: “Podemos orar juntos à Deus?” – afirmou Radchuk.

Por Dan Martins, para o Gospel
+

STF absolve José Dirceu e mais sete réus do crime de formação de quadrilha

 

Hoje às 13h07 - Atualizada hoje às 13h33      27/02/2014

STF absolve José Dirceu e mais sete réus do crime de formação de quadrilha

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

Brasília - Com os votos proferidos na manhã desta sexta-feira (27/2), pelos ministros Teori Zavascki e Rosa Weber, seis dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal - a maioria - decidiram absolver do crime de formação de quadrilha o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-deputado federal José Genoino (PT-SP), o ex- tesoureiro do PT Delúbio Soares e os outros cinco condenados pelo mesmo delito na ação penal do mensalão: Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Kátia Rabello e José Roberto Salgado.

Todos eles vão continuar a cumprir as sentenças que lhes foram impostas pelos demais delitos - corrupção (ativa ou passiva), peculato, lavagem de dinheiro ou evasão de divisas. Mas o STF concluiu, ao julgar os embargos infringentes dos apenados - com a nova composição, na qual Teori Zavascki sucedeu Cezar Peluso, e Roberto Barroso substituiu Ayres Britto - que os chamados mensaleiros não foram quadrilheiros. Mas sim, réus ou corréus na prática de crimes contra a administração pública ou contra o sistema financeiro.

Sessão desta quinta-feira do STF definiu absolvição do crime de formação de quadrilhaSessão desta quinta-feira do STF definiu absolvição do crime de formação de quadrilha

>> Mensalão: veja como ficaram as penas sem os crimes de quadrilha

Na sessão da véspera, três dos quatro ministros que, em dezembro de 2012, haviam absolvido os principais réus do mensalão quanto ao crime de quadrilha já tinham adiantado que manteriam seus votos: Ricardo Lewandowski (revisor da AP 470), Dias Toffoli e Cármen Lúcia. Na sessão matutina desta quinta-feira, Rosa Weber confirmou o seu entendimento anterior, que se somou ao voto proferido por Roberto Barroso na véspera, e ao de Teori Zawascki - o primeiro a se pronunciar nesta quinta-feira. Assim, estes seis votos garantiram a absolvição de José Dirceu, Genoino, Delúbio e dos outros que tinham sido enquadrados no crime de quadrilha.

Ficaram vencidos o ministro-relator Joaquim Barbosa (o último a votar formalmente nestes embargos infringentes), Luiz Fux, o relator dos embargos infringentes, e os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello (os três mais antigos da corte).

Celso de Mello e Joaquim Barbosa fizeram severas críticas aos próprios condenados, que chegaram a afirmar ter o Supremo agido como "tribunal de exceção". Barbosa fez do seu voto um verdadeiro discurso, no qual afirmou ter sido formada, no STF, "uma maioria de circunstância lançada sob medida para lançar por terra um trabalho primoroso". E acrescentou: "Sinto-me auorizado a alertar a nação que este é um primeiro passo, pois agora inventou-se um conceito fantasioso e discriminatório para o crime de quadrilha".

Teori e Rosa Weber

Na retomada do julgamento dos embargos infringentes, de manhã, o ministro Teori Zavasck criticou também, como Barroso, a excessiva e desproporcional pena dada a Dirceu e aos demais condenados por quadrilha na dosimetria - o que ocorreu também em dezembro de 2102.

Mas destacou que, na apreciação dos embargos infringentes (cabíveis em ação penal no STF quando pelo menos quatro ministros absolvem o réu), devia-se, apenas, verificar se ficou concretizado o crime de quadrilha, tal como previsto no artigo 288 do Código Penal.

Na mesma linha de Barroso e dos ministros que absolveram os réus da prática de tal crime, Zavascki ressaltou que a quadrilha, "crime autônomo", supõe uma associação, uma organização estável, com o objetivo de cometer crimes, e não deve ser confundido com o "concurso de agentes" para a consumação de crimes específicos "que não ofendem a paz pública".  Ele deu como exemplo o fato de que "é difícil dizer que José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino tivessem se unido a outros para praticar crimes contra o sistema financeiro nacional".

Logo a seguir, pela ordem, a ministra Rosa Weber reafirmou que o "ponto central" de sua divergência é o de que não basta que mais de três pessoas se unam para cometer crimes. "A lei exige que a sociedade seja qualificada pelo objetivo específico de cometer crimes, antes mesmo da prática de um deles. "Na minha ótica, não se pode confundir o crime de bando com crimes praticados com o concurso de agentes".

Os vencidos

Na sessão desta quinta-feira, em que foram julgados os principais e definitivos embargos infringentes, votaram a seguir os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Joaquim Barbosa, que confirmaram os votos proferidos em dezembro de 2012. Naquela ocasião, formaram a maioria (6 a 4). Desta vez, ficaram vencidos (6 a 5, em face da nova composição do STF).

Gilmar Mendes reafirmou a sua posição de que os condenados agiram "com o objetivo de obter o domínio do aparelho do estado e a submissão incondicional do Parlamento", e foram justamente punidos por sua atuação "num dos episódios mais vergonhosos da história do Brasil". E acentuou não ter dúvidas de que "a gravidade dos fatos atentou contra a paz pública político-social", e de que, assim, ficou caracterizado, "de forma, o crime de quadrilha".

Marco Aurélio afirmou no seu voto, ao negar os infringentes, referindo-se ao julgamento propriamente dito, em dezembro de 2102:

"Cabe indagar, julgamos segundo critério de plantão? A resposta, presidente, e devemos honrar até mesmo os dois colegas que já não integram o colegiado, é desenganadamente negativa. O nosso pronunciamento se fez a partir da prova. E da prova, a meu ver, contundente, quanto à existência, não de uma simples coautoria, mas quanto à existência do crime previsto no artigo 288 do Código Penal."

O ministro Celso de Mello também manteve o seu voto original, e rejeitou os recursos em julgamento. Segundo ele, o crime de quadrilha constitui "estado de agressão permanente contra a sociedade civil" (Heleno Fragoso). E os membros da quadrilha "agiram com dolo de planejamento, divisão de trabalho e organicidade", como "sofisticada organização criminosa", conforme definida pelo wentão procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, quando do oferecimento da denúncia, em 2006.

Celso de Mello reagiu à "esdrúxula afirmação de alguns condenados nesta ação penal de que o STF agiu como tribunal de exceção". Segundo ele, esses condenados "cumprem agora a reprimenda penal pela prática de crimes infames, como os de corrupção", e não têm moral para criticar "o órgão de cúpula do Judiciário do país, que garantiu às partes, de modo pleno e efetivo, um julgamento justo, isento e independente". Ele chamou a "organização" de "visceralmente criminosa", uma "quadrilha formadas por pessoas comprometidas com práticas criminosas, e que merecem o enquadramento no artigo 288 do Código Penal, como meros e ordinários criminosos comuns".

Joaquim Barbosa, ao proferir o último voto vencido, disse ainda que, com a aceitação dos embargos referentes ao crime de quadrilha, formou-se o entendimento "implícito" da maioria de que o crime de formação de quadrilha só poderia ser cometido por desempregados ou marginais". E concluiu o voto, às 12h50, assim: "Tarde triste neste STF. Argumentos pífios jogaram por terra uma decisão plenária sólida, bem fundamentada, tomada no segundo semestre de 2012".

Serão julgados ainda nesta tarde os três embargos infringentes relativos ao crime de lavagem de dinheiro dos seguintes condenados: João Paulo Cunha, Breno Fischberg e João Claudio Genú.

 

Twitter